Falar para um candeeiro...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A festa das palavras


Mark Twain


Cão perdeu-se! Por que não?
Cão achou-se! Ainda bem!
Ainda melhor, por sinal,
Se o cão perdido e o achado forem um só e o mesmo
“lidos” no mesmo jornal! 
Alexandre O´Neill




A primeira frase do prefácio do livro “A realidade é real” (“How real is real”) de Paul Watzlawick (um dos fundadores da Mental Research Institute de Palo Alto na Califórnia), é esta: “Este livro fala sobre a forma como a comunicação cria aquilo a que chamamos realidade”.

Sem teorizar a pragmática da comunicação humana, que se aplica em situações de comunicação interpessoal, a frase exprime a ideia algo estranha de que a comunicação cria a realidade. Parece estranho mas não é.

A forma como esta notícia é dada cria a extraordinária realidade de uma mulher que “morreu” e que“ressuscitou minutos depois”. Esta notícia poderia ser comunicada de outra forma, a de que os médicos conseguiram uma reanimação após uma paragem cardíaca. Mas não era a mesma coisa. O que é a reanimação médica quando se pode ter a ressurreição?

Vale lembrar o comentário de Mark Twain a um (outro) jornalista: “A notícia da minha morte é um claro exagero", quando o recebeu em sua casa enviado para averiguar o sucedido.

Quantas realidades criamos todos os dias pelo milagre da comunicação?

 

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