Falar para um candeeiro...

sábado, 15 de junho de 2013


Lewis Hine
 
 

Com pais pobres e sem instrução, estas crianças podem ainda contrariar o destino dos seus pais. Mas só poderão libertar-se dessa fatalidade graças a um Estado Social que lhes possa garantir as mesmas oportunidades, independentemente da sua classe social e do nível de rendimento das suas famílias.

É este Estado Social que um país supostamente europeu e civilizado, não pode desmantelar, deitando para o lixo direitos sociais como o da educação. Defender estes direitos é muito mais do que garantir a data de realização de um qualquer exame.

Por muito transtorno e ansiedade que possa causar, e certamente causará, a alguns alunos o facto de estarem perante a incerteza e a confusão acerca de realização de um exame na data prevista, a ameaça da destruição do direito à educação será sempre uma injustiça infinitamente maior.
 
Mas, no meio disto tudo há um problema: ainda concebemos as greves e mobilizações políticas de acordo com modelos do século XX, como as grandes manifestações liderados por grupos ou partido. No entanto, o ativismo político do século XXI procura outro tipo de consensos, para além de um projeto já definido de véspera.

Realizar a democracia hoje tem que passar por outras sensibilidades ético-políticas, pela mobilização dos cidadãos na re-ocupação do espaço público simbólico como “espaço político”, desvitalizado nas últimas décadas.
Dificilmente serão os sujeitos coletivos unitários (“a” classe trabalhadora, “os” funcionários públicos) que vão construir uma nova expressão e novos encontros, mas a multiplicidade cidadã, a potência que nos faz viver, querer mais e agir mais. A vida é dotada dessa força expansiva; o resto tem muito do ressentimento nietzschiano: uma potência explosiva que se volta contra si mesma, que só leva à autodestruição e à paralisia.

 “Uma boa metáfora para o novo ativismo é o enxame. Não possui comando central ou direcionamento superior. Mas tem a sua inteligência. O enxame adensa e dispersa em função de situações concretas. A rede difusa possui as suas atuações momentâneas. Ataca ao convergir sobre o alvo de muitas direções.” (“A nova militância: enxamear é preciso. A democraciadas redes”, Bruno Cava, Quadrado dos loucos).

Como é que isto se faz...

 

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