É só génios.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
A Constituição perdeu-se nos arquivos de São Bento?
Como entender os “chumbos” do Tribunal Constitucional dia
sim, dia não? A Constituição perdeu-se nos arquivos de São Bento? Esqueceram-se de a ler? Ou já nem será preciso?
O que se passa?
O que se passa?
Uma possível resposta a partir de uma leitura do Estado de exceção , um livro indispensável de Giorgio Agamben.
“(…) mas as palavras que concluem o livro soam ainda
mais grotescas:
"Nenhum sacrifício pela nossa democracia é demasiado grande,
menos ainda o sacrifício temporário da própria democracia."
(Giorgio Agamben, Estado de exceção)
"Nenhum sacrifício pela nossa democracia é demasiado grande,
menos ainda o sacrifício temporário da própria democracia."
(Giorgio Agamben, Estado de exceção)
O conjunto de recomposições que desde os anos 80 vêm produzindo
efeitos na sociedade global contemporânea, têm forçosamente que se repercutir na
relação do capitalismo com o sistema político.
A
dívida pública, uma realidade económico-política com que muitos países, de
forma dramática, se confrontam, tem necessariamente fortes consequências e
implicações políticas devido ao facto dos governos considerarem que o seu pagamento
deve “inevitavelmente” gerar políticas orçamentais austeritárias, pressões
fiscais (sobre os rendimentos mais baixos) e cortes nos gastos, sobretudo
sociais, considerados “improdutivos”, e em decorrência disso paralisar as
despesas públicas. Paralelamente, essa política tem vindo também a justificar a
retirada e a “desresponsabilização” do Estado de algumas áreas, favorecendo
parcerias e privatizações.
A dívida, e mais especificamente a
dificuldade (entenda-se a impossibilidade)
de a pagar cria na sociedade um sentimento difuso de “emergência” económica, um
sentimento de que alguma coisa deve ser feita, ou melhor, de que tudo deve ser feito para pagar a dívida. Como se vivêssemos
num tempo não de “normalidade” mas de exceção, que suspende a garantia dos
direitos constitucionais. Tanto os políticos como os “mercados” capitalizam o
medo nebuloso que satura o ambiente existencial da sociedade, mobilizando fantasmas
(a “perda de credibilidade” e a “desonra”) e soluções (o “consenso” e a “salvação
nacional”) numa produção simbólica do inimigo.
Não é de admirar que o medo, o instrumento que motivou o contrato social
hobbesiano do Leviatã, reapareça explicitamente. ( Para Hobbes o “estado de natureza”, anterior ao aparecimento do Estado, é um estado de guerra”, ao contrário de Locke, por exemplo, que reconhece já no “estado de natureza” a existência dos direitos naturais.)
Em
situações de crise, o carater “emergencial” do estado excecional de “assistência” tende a substituir uma lógica política da
representação por uma lógica funcional, isto é, por uma regulação técnica
“flexível” do poder político e das relações sociais. De que outra forma se
conseguiriam aplicar “reformas” austeritárias?
Em abril
deste ano Bill Gross, que gere o maior fundo de obrigações do mundo (a PIMCO Fund, com quase 290 mil milhões de dólares) afirmou que “foi
um erro pensar que os mercados obrigacionistas iam exigir aos governos que
aplicassem medidas orçamentais severas de austeridade. Os investidores em
obrigações querem tanto crescimento económico como os de ações, na medida em
que demasiada austeridade leva à recessão ou estagnação." (aqui)
O que é admirável nesta afirmação não é o facto dos “investidores querem
crescimento económico” (até porque sem isso os Estados não conseguem pagar a
dívida), o que é verdadeiramente esclarecedor é a clara referência ao facto dos
mercados obrigacionistas “exigirem aos governos que apliquem medidas de
austeridade”.
A
nova forma de governo técnico, aquele que terá que atender às “exigências dos
CEOs das PIMCOs”, terá que assentar numa recentralização da administração do dispositivo
de governação estatal, senão mesmo de uma privatização da governabilidade, que
deixa de fora a esfera representativa, a democracia dos cidadãos, numa atuação bastante
próxima dos “mercados” e, como tal, muito afastada das fontes tradicionais de
legitimação do Estado moderno.
Aliás,
o capitalismo
contemporâneo, enquanto uma nova ordem imperial caracteriza-se, primeiramente, pela
ausência de fronteiras (o poder exercido pelo “Império” não tem limites) e, em segundo
lugar, por não se apresentar como conquista histórica, mas sim como uma ordem
que suspende a História. (Hard Michael e Negri, Antonio (2001). Império,
Rio de Janeiro, São Paulo: Editora Record, 3ª edição, p. 14)
Segundo
Agamben, “a origem do instituto do “estado de sítio” encontra-se no decreto de
8 de julho de 1791 da Assembleia Constituinte Francesa, que distinguia entre état
de paix (a autoridade militar e a autoridade civil agem cada uma na sua
própria esfera), état de guerre (a autoridade civil tem que agir em consonância
com a autoridade militar), e état de siége (a autoridade militar assume o comando de todas as funções de
que a autoridade civil é investida, para a manutenção da ordem interna) (Agamben, 2004, p. 16).
O “estado de
sítio” nasce, portanto, vinculado à questão da existência da guerra e das
consequências dessa situação para a organização social, mas progressivamente vai-se
emancipando dessa situação inicial “para ser usado como medida extraordinária
de polícia em caso de desordens e sublevações internas, passando, assim, de
efetivo ou militar a fictício ou político” (idem)
Surge assim o estado de exceção.
“Assumo sem hesitar o comando do grande
exército do nosso povo para conduzir, com disciplina, o ataque aos nossos
problemas comuns (...). Pedirei ao Congresso o único instrumento que me resta
para enfrentar a crise: amplos poderes executivos para travar uma guerra
contra a emergência, poderes tão amplos quanto os que me seriam atribuídos
se fôssemos invadidos por um inimigo externo”.
Estas
palavras, retomadas por Agamben (idem,
p. 37), foram pronunciadas por Franklin Roosevelt, presidente dos Estados
Unidos, e culminaram no National Recovery Act, de 1933, que lhe delegou
um poder ilimitado de regulamentação e controlo sobre todos os aspetos da vida
económica do país, no rescaldo da crise de 1929.
Segundo
Agamben, o paralelismo entre emergência militar e emergência económica, evidente
no discurso de Roosevelt, é um traço que irá caracterizar a política durante
todo o século XX. E, mais uma vez, o estado de exceção, que deriva da necessidade de declarar uma “guerra à
emergência”, neste caso à emergência económica, vai atuar, não no sentido de
solucionar a emergência que supostamente gerou o estado de exceção, mas, ao
contrário, produzindo uma situação na qual a emergência se torna a regra e em
que já não se consegue distinguir entre
normalidade e emergência.
“Sob a pressão do paradigma do estado de exceção, é
toda a vida político-constitucional das sociedades ocidentais que,
progressivamente, começa a assumir uma nova forma que, talvez, só hoje tenha
atingido seu pleno desenvolvimento.” (idem,
p. 27).
O estado de exceção representa a possibilidade do poder
executivo deter poderes superiores, acima da própria Constituição, podendo desrespeitar
direitos fundamentais. Essa situação, característica das ditaduras, também se
manifesta, e cada vez mais, em democracias, com a ampliação de poderes do executivo.
“No nosso estudo do estado de
exceção, encontramos inúmeros exemplos da confusão entre atos do poder
executivo e atos do poder legislativo; tal confusão define, como vimos, uma das
características essenciais do estado de exceção. (idem, p. 61)
Dificilmente,
Agamben poderia ser mais explícito do que quando afirma com absoluta nitidez
estas palavras “(…) o princípio democrático da divisão dos poderes hoje está
caduco e o poder executivo absorveu de facto, ao menos em parte, o poder
legislativo. O Parlamento não é mais o órgão soberano a quem compete o poder
exclusivo de obrigar os cidadãos pela lei: ele limita-se a ratificar os
decretos emanados do poder executivo. Em sentido técnico, a República não é mais
parlamentar e, sim, governamental. E é significativo que semelhante
transformação da ordem constitucional, que hoje ocorre em graus diversos em
todas as democracias ocidentais, apesar de bem conhecida pelos juristas e pelos
políticos, permaneça totalmente despercebida por parte dos cidadãos. Exatamente
no momento em que gostaria de dar lições de democracia a culturas e a tradições
diferentes, a cultura política do Ocidente não se dá conta de haver perdido por
inteiro os princípios que a fundam.” (idem, p. 32-3)
O estado de exceção é sempre definido em virtude de
uma necessidade impreterível. A definição de Agamben sobre o papel da necessidade também é bastante significativa:
a necessidade encontra-se acima da própria lei e legitima-se exatamente por estar
acima da legitimidade. “Mais do que tornar lícito o ilícito, a necessidade age
aqui como uma justificativa para uma transgressão num caso específico por meio
de uma exceção.” (idem, p. 40-1)
É aqui que devemos perguntar: necessidade de quem?
A
lógica da crise é produzir uma regulação técnica das relações sociais num
estado de emergência. As medidas de
“austeridade” são usadas como “medidas emergenciais” porque permitem fazer “reformas”
que não se podem fazer em tempos normais: reduzir o Estado, comprimir salários,
atacar os direitos do trabalho. O regime de emergência não têm por finalidade resolver o problema, a sua verdadeira finalidade é manter a situação de emergência, não é ultrapassá-la. Analogamente, a dívida pública não é para ser paga, nunca poderá ser paga, logo o estado de emergência também não pode acabar.
Portanto, o estado de emergência mostra-se como uma necessidade do capitalismo, necessidade que tende a transformar a exceção em norma. O estado de emergência económico que vivemos é condição de possibilidade para a nossa relação de total subserviência ao poder financeiro.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Chico, o esperto
José Luís Vaz atingiu o limite de três mandatos e fez avançar a mulher, que ganhou e se prepara agora para renunciar a favor do marido. “Fraude”, acusam constitucionalistas.
A resposta é?
a) Atrás de um grande homem está sempre uma grande
mulher;
b) Atrás de um pequeno homem está sempre uma grande
mulher;c) Atrás de um pequeno homem está sempre uma pequena mulher;
d) Estão os dois atrás.
A brincar com a democracia. Infelizmente a festa é só para alguns (e estes aqui nem serão os piores).
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
A República segundo Carolina, a nossa “avó” rebelde
Carolina Beatriz Ângelo (1878 / 1911), porque ontem foi dia de eleições.
Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar em Portugal. A primeira e a única que no ano de 1911 conseguiu (é a palavra certa) votar.
Estávamos
em março de 1911, a jovem república portuguesa ainda não tinha sequer um ano de
idade, quando saiu a Primeira Lei Eleitoral do Regime Republicano.
Quem
podia votar? Segundo a lei, «os cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que
soubessem ler e escrever e fossem chefes de família».
Ora,
sabe-se que gramaticalmente, o plural masculino das palavras inclui o género feminino.
“Huumm… isto interessa-me - terá pensado Carolina, que tinha mais de 21 anos, era médica, viúva e tinha uma filha menor a seu cargo. Portanto era em tudo um “cidadão português, com mais de 21 anos, que sabia ler e escrever e era chefe de família”!
“Huumm… isto interessa-me - terá pensado Carolina, que tinha mais de 21 anos, era médica, viúva e tinha uma filha menor a seu cargo. Portanto era em tudo um “cidadão português, com mais de 21 anos, que sabia ler e escrever e era chefe de família”!
Embora
Carolina não estivesse contemplada na lei, a verdade é que o texto legislativo também não excluía explicitamente as mulheres. Afinal, a palavra "cidadãos" também inclui as "cidadãs".
No
dia 1 de abril do mesmo ano, dirigiu um requerimento ao presidente da Comissão
de Recenseamento do Segundo Bairro de Lisboa no sentido do seu nome «ser
incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se». A inédita
pretensão foi remetida para o Ministro do Interior, o grande republicano António
José de Almeida, que não deixou passar (os homens a quem se erguem grandes
estátuas, também têm “pés de barro”).
Sem
“baixar os braços”, a pretensa eleitora apresentou um recurso em tribunal,
argumentando que a lei não excluía expressamente as mulheres.
Assim,
no dia 28 de Abril, o juiz João Baptista de Castro proferia a sentença que
ficaria para os anais da nossa História: «Excluir a mulher (…) só por ser
mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias
da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei
não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja
incluída no recenseamento eleitoral».

Um
pormenor: quis a força inexorável da fortuna (ou outra, não sei), que o
juiz a quem coube proferir a referida sentença, fosse nada menos do que
pai de Ana de Castro Osório!
Carolina com Ana de Castro Osório
Passado
um mês, no dia 28 de Maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte,
Carolina Beatriz Ângelo tornou-se a
primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto (no nosso país e
no resto da Europa do Sul).
A
eleitora n.º 2513 apresentou-se na assembleia de voto do Círculo n.º 34 de
Lisboa Oriental, sita no Clube Estefânia, e votou!
Ainda
assim com um pequeno incidente, relatado pela própria no jornal A
Capital: «No final da primeira chamada, o presidente da assembleia [de
voto], Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não
aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando
recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesma não tinha competência
para se intrometer no assunto».
Carolina,
a eleitora. Com o gesto de colocar o boletim de voto numa urna fez História. De
resto, o caso processo mereceu prolongado alarido mediático e a sua fotografia
surgiu nas primeiras páginas da imprensa. Num dos jornais lia-se: «‘Se a lei
não nos abre a porta, também não nos põe na rua’ - Assim o entende uma denodada
sufragista portuguesa».
O
que Carolina deve ter dado de entrevistas e autógrafos.
Mas,
os republicanos rapidamente contra-atacaram. O caso “Carolina” mostrou aos
governantes da república a necessidade, que teriam julgado indispensável, de mostrar
às mulheres o seu lugar. Não lhes deve ter ocorrido que fosse necessário
explicar o óbvio carácter masculino da política portuguesa (até porque logo na
sessão inaugural da Assembleia Constituinte (19 de Junho de 1911) ficou declarada
a “cláusula de masculinidade” para a entrada no parlamento).
Só para homens!
Assim,
em 1913, surgiu um novo código Eleitoral, que dizia o seguinte: «são eleitores
de cargos legislativos os cidadãos portugueses do sexo masculino maiores
de 21 anos ou que completem essa idade até ao termo das operações de
recenseamento, que estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos,
saibam ler e escrever português, residam no território da República
Portuguesa». Shame on you, avôs
republicanos.
As
mulheres portuguesas teriam de esperar pelo Estado Novo, pelo ano de 1931, para
lhes ser concedido o direito de voto e, ainda assim, de forma precária: apenas
podiam votar as que tivessem cursos secundários ou superiores, enquanto para os
homens continuava a bastar saber ler e escrever.
A
lei eleitoral de Maio de 1946 alargou o direito de voto aos homens que, sendo
analfabetos, pagassem ao Estado pelo menos 100 escudos de impostos e às
mulheres chefes de família e às casadas que, sabendo ler e escrever, tivessem
bens próprios e pagassem pelo menos 200 escudos de contribuição predial…
Em
Dezembro de 1968 foi reconhecido o direito de voto político às mulheres, mas as
Juntas de Freguesia continuaram a ser eleitas apenas pelos chefes de família.
Só em 1974, já depois do 25 de Abril, seriam abolidas todas as restrições à capacidade
eleitoral dos cidadãos tendo por base o género.
É evidente que sabemos por que razão os ilustres republicanos se opuseram ao voto feminino quando ambos os movimentos políticos (o republicanismo e o feminismo) eram ideologicamente tão próximos (e quando a própria Carolina Ângelo era uma defensora e ativista do republicanismo).
Podemos
encontrar a explicação para esta rejeição no anticlericalismo do movimento
republicano, que ao reconhecer a mulher como muito religiosa, reconhecia-a
também como facilmente influenciável pela igreja. Existia um enorme receio da
influência que os padres pudessem ter nas decisões políticas das mulheres.
************
Em
Julho de 1911, Carolina escrevia as suas últimas vontades: «Por ocasião do meu
falecimento, desejo que me seja feito enterro civil. (…) Peço que, logo depois
da minha morte, me coloquem em qualquer compartimento de casa sem sinal algum
de luto e enfeitem tudo com plantas verdes, que eu tanto amo».
Morreu
subitamente, no dia 3 de Outubro de 1911, tinha apenas 33 anos. “Viveu muito,
mas em pouco tempo”.
Hoje
existe um hospital com o seu nome.
domingo, 29 de setembro de 2013
Guardas, prendam a má língua!
Elliott Erwitt, Metropolitan Museum
Papa confia nova tarefa aos guardas do Vaticano: combater a má-língua
“Não
à discórdia”, uma vil “tentação que agrada ao diabo, contra a unidade”,
diz o papa.
Onde é que eu já ouvi isto?
Onde é que eu já ouvi isto?
É
exatamente isto que oiço nos discursos dos nossos políticos quando apelam ao
"consenso", à “salvação nacional”, melhor dizendo, ao pensamento único. Também eles querem
esconjurar a “discórdia”, afastar a “tentação que agrada ao diabo”, entregar a mediação
das forcas sociais e políticas aos “guardas”, para “defenderem as portas e as janelas”.
A política é discórdia, é oposição, são "portas abertas". Os
espaços "consensuais", aparentemente destituídos dos seus conflitos e
desentendimentos inerentes, são lugares apolíticos, são espaços mortos. O “desentendimento”
é da ordem do político, o conflito e o dissenso caracterizam a própria vida pública.
Os sistemáticos apelos de todos estes "políticos",
portugueses e europeus para o “consenso” como a solução para o país, são a
própria negação do político, “o que o consenso pressupõe portanto é (...), em
suma, o desaparecimento da política” (Jacques Rancière (1996), O desentendimento. São Paulo: Editora
34, p. 105).
O dissenso, não
é simplesmente o conflito de interesses ou de valores entre grupos, caricaturalmente
apresentado como “intriga”, “calúnia” ou “má-língua”, mas, mais profundamente, é
o que possibilita a aparição de certos recortes do mundo que não são evidentes, que não são ditos, que têm
que ser construídos.
Quando aqueles que habitualmente não têm o direito à
palavra pela imposição do silenciamento (silêncio como interdição) se apropriam
desse direito, surge a "política" na sua expressão mais verdadeira de
acontecimento que perturba e reconfigura a distribuição “consensual” do direito
à fala.
E hoje é dia de “dizer”.
sábado, 28 de setembro de 2013
Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.
First they ignore you, then they laugh at you, then they fight you, then you win.
Mahatma Gandhi
Corria o verão de 1993 quando, após sete anos de
trabalho, o matemático e professor da Universidade de Princeton, Andrew Wiles
anunciou em Cambridge ter encontrado uma demonstração para o “teorema de Fermat”.
Pouco tempo depois é verificada uma pequena falha.
Wiles retira-se por mais um ano e, finalmente, surge com a demonstração
reformulada (Wiles começou a interessar-se pelo enigma matemático mais famoso
dos últimos séculos quanto tinha cerca de 10 anos!).
Em novembro de 1994, depois de passarem a “pente fino”
as suas 200 páginas, a demonstração é definitivamente aceite pela comunidade
científica, ou mais precisamente pelas poucas pessoas no planeta que estariam
capazes de seguir o raciocínio, tal era a complexidade e o rigor técnico da demonstração.
Mas a verdade é que a longa “noite” dos 359 anos de
busca pelo “santo graal” matemático havia chegado admiravelmente ao seu fim.
Todas as tentativas, erros, acertos produziram, finalmente, um resultado e o senhor
que no século XVII se lembrou de criar este imbróglio, o senhor Pierre de
Fermat (que ainda por cima era jurista e magistrado e dedicava-se à matemática
apenas nas horas vagas!), podia “descansar em paz”.
Para além da descoberta, que é brilhante, fica ainda um outro brilho maior: “foi fundamental que a hipótese não tivesse
sido abandonada durante os três séculos em que foi impossível demonstrá-la. A fecundidade
desses fracassos, da sua análise, das suas consequências, estimulou a vida
matemática. Nesse sentido, o fracasso, desde que não provoque o abandono da
hipótese, é apenas a história da justificação dessa hipótese” (Alain Badiou).
Portanto,
o “’teorema Fermat' é um exemplo de um teorema tão bom, que
até os seus fracassos têm enriquecido a matemática de uma forma impossível de
quantificar." (Stewart, 1995).
Um bom exemplo que os cientistas nos dão a todos: tenta outra vez, fracassa melhor, then you win.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Que te diz o vento que passa?
Lisboa, Parque Eduardo VII (27 de setembro de 2013)
Adensam-se as nuvens e os maus ventos
pairam sobre Portugal, “um vento (que não) cala a
desgraça, um vento que tudo diz”.
Muito simbólico o estado infeliz desta pobre bandeira, que é a nossa. (daqui)
Olá, guardador de
rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que
passa?
Que é, vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?
(…)
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
A estupidificação da mercadoria

E por que não a atitude "arrojada" de desafiarmos uma verdadeira lei da física? A verdade é que algumas pessoas (... vá, mulheres), conseguem mesmo "ignorar" o centro de gravidade, deslocando-se graciosamente (imagine-se na calçada lisboeta) com uns bons centímetro a mais.
Às vezes há danos colaterais, como nesta senhora.
Vou ficar ansiosamente à espera das novidades para este Outono-Inverno.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
"Tu, pour moi, viens de charrette" (O verdadeiro artista)
Hoje
no final de uma aula fui abordada por dois alunos da turma, já no pátio do
recreio. Dizia-me um deles que o outro tinha descoberto uma fórmula infalível
de ganhar todos os debates (na aula falou-se da argumentação). A fórmula,
disse-me o aluno, é esta: no debate, terminar as intervenções sempre com um “porque não?!”
Huumm… este
rapaz vai longe. Havemos de vê-lo comentador de política ou de economia na
televisão ou mesmo candidato a presidente da Câmara Municipal da capital do nosso
país.
Se és um jovem ambicioso e pretendes aprender a arte do “se não consegues vencê-los, confundi-os”, aqui fica um verdadeiro mestre, um homem com “parafusos antes do tempo”.
Ora
vê como se faz. Profundo.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
É oficial. O pai natal não existe.
Para os simples mortais, existe uma espécie especial de seres humanos que vivem de forma etérea num Olimpo. Um dia, no entanto, descobrimos que os grandes génios da humanidade, como Orson Welles (na fotografia com Peter Bogdanovich) também utilizam o carrinho de compras. É difícil encontrar melhor imagem para a expressão de Max Weber quando fala do “desencantamento do mundo” do que ver Orson Wells a fazer compras num supermercado.
Mas não fica por aqui. Há tempos encontrei também uma versão infantil e inofensiva de Marx metamorfoseado em boneco de peluche e do mítico “Che”, ícone da revolução e ídolo de tantas gerações (pessoalmente, tenho muitas reservas), transformado em porta-chaves.
Um dia as revoluções transformam-se em souvenirs, arrumados em prateleiras por esse mundo fora.
Definitivamente, o pai natal não
existe.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança
Alfred Eisenstaedt, 1943
Há
um ponto que se tornou central no capitalismo contemporâneo: a propriedade
intelectual.
A
propriedade intelectual é a transformação do conhecimento humano coletivo em
mercadoria por meio da apropriação privada. Cada vez que um grupo farmacêutico,
por exemplo, regista uma patente, apropria-se dos conhecimentos produzidos
socialmente e, provavelmente na maioria dos casos, financiados com dinheiros
públicos. Aquele produto que é patenteado é sempre o resultado de uma
acumulação de saberes que ultrapassa em muito as pesquisas do grupo que a
patenteia. Como sabiamente diz um provérbio africano “é preciso uma aldeia
inteira para educar uma criança”. A missão de educar e ensinar não é da
exclusiva competência dos agentes educativos, mas muitos outros elementos
sociais participam nesse trabalho.
De
cada vez que os grandes grupos registam uma patente, transformam esse saber social
numa renda, logo num instrumento de dispõe de poder social, económico e político. A
escola (pública) e todos as outros elementos que socialmente participaram desse
longo processo do conhecimento desaparecem. Fica apenas a patente.
Vale
a pena relembrar também o poema de Brecht:
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras? (…)
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? (…)
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos,
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras? (…)
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? (…)
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos,
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
A escola e a sua mercadoria
Fotografia de Alfredo Cunha
E, acrescente-se, que mobilidade social?
O vocacionalismo
é o termo que designa a subordinação da educação às necessidades da economia e
que está na origem do processo de profissionalização do sistema educativo.
Este “mandato” surge no início da
década de 80 quando a maior parte dos países industrializados se vê confrontada
com a desaceleração do crescimento económico e com elevadas taxas de desemprego
juvenil. Agora, tal como nesse período, a Educação foi chamada a desempenhar um
papel fundamental para aumentar a competitividade das economias e para combater
o flagelo do desemprego.
O raciocínio é o seguinte:
“mais educação profissionalizante = mais recursos humanos qualificados = mais
competitividade = mais riqueza = redução do desemprego e dos seus efeitos”.
Sendo difícil demonstrar a
existência de uma relação direta entre os elementos da igualdade acima referida
(por ausência de suporte empírico que a sustente), parece mais claro que o
vocacionalismo é a forma mais eficaz de assegurar o cumprimento de uma
escolaridade de 12 anos. Mas ela é também, para muitos dos jovens que a
frequentam, uma escolha forçada, uma via de exclusão dos percursos “nobres” (de
prosseguimento de estudos para o ensino superior), uma espécie de gueto destinado aos protagonistas de
trajetórias de insucesso.
A educação profissionalizante cumpre, no
quadro do sistema educativo, várias funções: apresenta-se como uma oferta suficientemente atraente (mais prática) para um número elevado de
jovens, permitindo-lhes fazer face à desvalorização dos diplomas; ao manter
durante mais tempo um maior número de jovens na escola, a educação
profissionalizante contribui para diminuir as taxas de desemprego juvenil; ao
ter currículos que só formalmente permitem o prosseguimento de estudos,
contribui para manter controlada a base social de recrutamento do ensino
superior.
A escola é cada vez mais
uma empresa e a sua mercadoria é a mão-de-obra educativa. Veja-se na Portaria n.º276/2013 de 23 de agosto a matriz curricular dos cursos vocacionais de nível secundário (a Portaria n.º
292 -A/2012, de 26 de setembro, já havia criado uma experiência-piloto de
oferta formativa dos cursos vocacionais para o ensino básico).
Segundo o preâmbulo da Portaria n.º 276/2013, “a introdução
destes cursos visa criar condições para o cumprimento da escolaridade
obrigatória, a redução do abandono escolar precoce e o desenvolvimento de
conhecimentos e capacidades, científicas, culturais e de natureza técnica,
prática e profissional que permitam uma melhor integração no mercado de
trabalho e o prosseguimento de estudos.”
Que “conhecimentos e capacidades
científicas e culturais”?
Que “ prosseguimento de estudos”?E, acrescente-se, que mobilidade social?
Como diz Natália Alves, “é necessário excluir para incluir”. O problema é que quando
se exclui dificilmente se consegue incluir.
Artigo consultado: Natália Alves, “Políticas
de educação-formação para jovens: tensões e contradições”
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
O secretário que “come resgates ao pequeno almoço”
Alfred Eisenstaedt, Drum Major (1950)
Secretário-geral da UGT diz que portugueses não devem temer resgates
Este episódio já tem várias
semanas, mas há notícias que, de alguma forma, se mantêm atuais.
O secretário-geral da UGT, numa bravata
extraordinária, afirmou que “os
portugueses não precisam de ter medo de um segundo resgate, nem têm que ter
medo do que quer que seja.” Um estonteante “venham
de lá esses resgates!” que fez lembrar o Buzz
Lightyear,
o herói do Toy Story com o seu: “Ao infinito
e mais além.”
Sabendo nós da força devastadora do “ajustamento” dos programas de “resgate” e sabendo que a variável-chave do ajustamento-destruição é precisamente o Trabalho (salários, desemprego, precarização), como entender o guardião dos trabalhadores que assim dá o “peito às balas”.
O resgate é verdadeiramente temível, sim. E muito. Serve para manter esta ordem a qualquer custo, para impedir que o sistema financeiro entre em colapso, garantindo que os “investidores” permaneçam no mercado (seria trágico se todos se lembrassem de vender os títulos) e obrigando os devedores a “sinalizar” que vão pagar. O “socorro” financeiro serve para restabelecer a dinâmica, sempre ameaçada pela intrínseca “desregulação”, à custa da extorsão do trabalho e do enfraquecimento do social pelo financeiro.
Talvez
quisesse dizer que, sendo temível, a nossa resposta não deve ser o medo, que,
de facto, já paira. E já poisa, mobilizado por diversos fantasmas (a “perda de
credibilidade”, a “salvação nacional”, com o respetivo apelo litúrgico da
virtude da “paciência dos portugueses”), numa produção simbólica do inimigo.
Não espanta que o medo, o instrumento que motivou a contratualidade social de
tipo hobbesiano, o Leviatã, reapareça
cada vez mais explicitamente (para Hobbes o “estado de natureza”, anterior ao
aparecimento do Estado, é um “estado de guerra”, ao contrário de Locke que
reconhece no “estado de natureza” a existência de direitos naturais).
Nem
a bravata, nem o medo. Por muitas dificuldades de reapropriação do social pela
sociedade, por muito difícil que seja a constituição de uma mobilização social crítica
e contestatória, ela deve sempre existir, tem que existir e existe.
“O inferno dos vivos não é
algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos
todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer
o inferno. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e
tornar-se parte dele até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada
e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que,
no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.”
Estas são palavras de Marco Polo, postas na escrita por Italo Calvino n’As
Cidades invisíveis, que foi citado por Bauman, que agora é citado por mim.
É assim o conhecimento, o “mais potente de todos os afetos” e que se reparte
como o meio mais eficaz contra o medo. Bravatas à parte.
Algumas desigualdades são mais desiguais que outras (ainda o “piropo”)
Peggy Lee
O
tema já tem algumas semanas. Mas vem sempre a tempo, afinal discutimos
eternamente os mesmos assuntos, nas suas múltiplas variantes. O tema aqui não é
propriamente o piropo mas a forma como foi apresentado por dois comentadores
habituais do jornal Expresso, à semelhança
de muitos outros comentários afins.
No
essencial, um e outro comentador apostaram na superficialização do problema, um
deles avança até para a sua ridicularização. Superficializar, para não dizer
ridicularizar, é a estratégia mais eficaz de silenciamento. Consegue apagar as
relações de poder, de forma a que no debate (sobre o género ou outras questões)
reste apenas o elemento ridículo e risível e depois disso, enfim, o silêncio, o
não assunto. Nesta matéria, diga-se que o primeiro-ministro foi bem mais desajeitado
(isto é, mais explícito) quando simplesmente
decretou que "(o processo da
licenciatura de Miguel Relvas) é um não assunto."
(04-07-2012). Faltou subtileza.
Algo que se chame
“piropo” até soa a uma coisa “engraçada”. E que mal é que pode haver numa coisa
“engraçada”, numa espécie de “animação de rua”?
Para os mais ingénuos, nada, porque acham que é só um piropo. Não é. É mesmo uma forma
de assédio, cuja aparente leveza de ato “simples”, que até pode ser “espirituoso”
e do contexto casual e fortuito em que ocorre, só aos mais atentos revela as verdadeiras
regras do jogo: o piropo é do homem, dirigido a quem ele quiser, onde e quando
ele entender, e nos termos em que bem lhe apetecer. A mulher limita-se a ter
que “aceitar” aquilo que não pediu. Tem que ouvir, mesmo que seja a tal “mulher
honrada (que) não tem ouvidos”, (um provérbio tão inocente como o piropo). Tem que ouvir, por mais grosseiro que
seja. E é sempre grosseiro porque ocorre em circunstâncias sempre desiguais,
porque alguém impõe o que a outra parte não pediu nem consentiu. É este o princípio.
E o que se deve discutir são princípios e não a suposta “elegância” ou a grosseria
deste ou daquele piropo.
O assédio, mesmo na
sua versão piropo, é a manifestação de uma relação social. E todas essas
relações são, de facto, relações de poder. O poder, como tal, não existe, não é
um atributo, o que existe são as relações de poder. É por essa razão que numa
situação de violência doméstica a vítima pode ser o homem e a mulher a
agressora. O poder não é um atributo dos atores, mas da relação. E o lugar da
manifestação desse poder é o nosso mais prosaico quotidiano, o lugar onde tudo
acontece na sua imediatez. Concordo assim que não há razão para legislar sobre
o piropo, porque, em variados aspetos da nossa vida, o jurídico não pode, e não
deve, substituir o que é função da educação e da cidadania.
Um dos
comentadores decretou que “o piropo, como quase tudo o que se queira analisar
nas relações entre homens e mulheres depende da forma, do contexto, da
elegância, da oportunidade” – o contexto é o do não consentimento, pelo que não
consigo ver a oportunidade, muito menos a elegância. O outro comentador, mais
condescendente, sentenciou que o piropo “Não é tema
político”. Quererá porventura dizer que não é um tema partidário - uma confusão demasiado recorrente. Um tema político
será certamente, como o são todas as manifestações de poder.
As formas rudimentares
produzem o silenciamento ou, na melhor das hipóteses, superficializam a
discussão e o pensamento. O pequeno arbusto é a árvore possível quando não se
consegue ver a floresta.
Declaração de interesses: não sou militante do Bloco
de Esquerda, nem de nenhum outro partido (e não é por acaso). Também não creio
ter a independência comprometida por ser mulher, porque há muitos homens que estarão
de acordo. Os outros, se se esforçarem, também hão-de conseguir.
Ao jovem aprendiz de filosofia
Quando um filósofo vai à fonte... (Na foto Martin Heidegger)
Há já muitos anos que a filosofia faz parte da minha vida. E fará sempre. Mas, que posso eu dizer aos jovens que hoje iniciam a aprendizagem da metafísica?
Resumidamente isto: ao longo dos anos fui compreendendo que todo o programa da filosofia, que se iniciou há mais de 2.500 anos, consiste em três perguntas fundamentais:
"Haverá algum conhecimento tão certo que nenhum homem razoável possa dele duvidar?” É a pergunta de Russell sobre o conhecimento (epistemologia);
“Por que razão os homens perseguem a escravidão como se procurassem a liberdade?” É a pergunta de Espinosa, via Deleuze, sobre a ação humana (ética, axiologia, política);
“Por que existe o ser e não o nada?” É a pergunta de Leibniz, retomada por Schelling e Heidegger, sobre o ser (ontologia).
E as respostas? Bem, continuamos a tentar, 2.500 anos depois. Somos todos aprendizes, portanto.
Boas
ideias. Boa filosofia.
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